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Quis a vida que eu vivesse em Estados totalitários de diversos campos políticos. Vivi até aos 18 anos em Portugal, sendo que parte da minha juventude decorreu antes do 25 de Abril de 1974, ou seja, durante uma ditadura de direita.

Originário de uma família simples, a tomada de consciência política e cívica ocorreu durante a minha passagem pelo Seminário da Ordem dos Combonianos, missionários que tiveram sérios problemas com o regime vigente em Portugal devido às suas posições fortemente críticas face à ação colonial dele em Moçambique. Foi precisamente aí que tomei contato com novas ideias políticas.

No entanto, o 25 de Abril de 1974 acelerou o processo de maturidade política, levando-me, nesse percurso, a aderir à União dos Estudantes Comunitas (UEC). Esta decisão deveu-se fundamentalmente ao descontentamento face às discrepâncias sociais existentes no nosso país. Enquanto jovem de uma família humilde, considerei que o socialismo marxista-leninista poderia ser a solução para os problemas de Portugal e da Humanidade.

Foi precisamente essa opção política que me levou a vir estudar para a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em Setembro de 1977.

Chegado ao país que para os comunistas materializava “o futuro radioso da Humanidade” e o “socialismo desenvolvido”, constatei que a realidade pouco ou nada tinha a ver com a utopia de esquerda. Sendo um regime com um sinal ideológico contrário ao do Estado Novo em Portugal, o comunismo tem numerosas semelhantes, principalmente no que toca à violação dos mais elementares direitos humanos.

O processo de revisão da filosofia política e ideológica foi gradual, decorreu à medida que ia conhecendo cada vez mais profundamente o regime existente na União Soviética, tendo levado à rutura total com o comunismo, enquanto solução para os problemas das sociedades.

Para mim, não existem objetivos sociais e políticos nobres que justifiquem a existência de censura da imprensa, da expressão e do pensamento, a perseguição política de pessoas com ideias diferentes, bem como a limitação de outras liberdades fundamentais.

No fundo, o comunismo em pouco ou nada se distingue do Estado Novo, não obstante serem regimes de campos políticos diferentes.

 

(José Milhazes - Maio de 2011)

publicado por mitouverdade às 14:47

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